Print Friendly and PDF

Um velho, morto no quarto





isso em cima de mim não é a morte
mas é tão real
e quando os proprietários cheios de vermes
batem querendo o aluguel
eu como nozes sob a camada protetora
de minha privacidade
e dou ouvidos a bateristas mais
importantes;
isso é tão real, isso é tão real
quanto o pardal com os ossos partidos
na boca do gato, expressando
mais do que simples
argumentos infelizes;
entre os dedos do pé eu encaro
as nuvens, os oceanos de desoladas
sepulturas...
e coço as minhas costas
e formo uma vogal
enquanto todas as minhas adoráveis mulheres
(esposas e amantes)
estouram como motores
esfumaçando mágoas
e explodindo num eclipse;
ossos são ossos
mas isso em cima de mim
quando rasgo a cortina
e caminho pelos tapetes da jaula,
isso em cima de mim
como uma flor e um banquete,
acredite
não é a morte e não é
a glória
e como os moinhos de vento de Quixote
cria um inimigo
movido pelos céus
contra um homem;
...isso em cima de mim,
grande deus,
isso em cima de mim
se enrolando como uma cobra,
aterrorizando meu amor às trivialidades,
uns chamam de Arte
uns chamam de Poesia;
isso não é a morte
mas morrer vai dissolver seu poder
e quando minhas mãos cinzas
deixarem cair uma última caneta desesperada
em algum quarto barato
lá, eles vão me encontrar
e jamais saberão
meu nome
minha intenção
nem o valor
de minha fuga.





Nenhum comentário:

Postar um comentário