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As condições




atualmente, sob as condições do sol
meu mundo está terminando.
marcado pelo verme,
contestado por uma população mundial
que a mim não tem referência.
atualmente, sob as condições do sol
meu mundo está terminando.
meus amigos, quase nunca houve
um tempo amável.
demonstrei coragem, bebedeira e
medo.
o coração segue funcionando
em meio ao terror inquestionável.

sob as condições do sol
preparo-me para largar
o labor, a dor e qualquer
honra que reste.





Fato




eu tenho 90 mil dólares
no banco
tenho 50 anos de idade
peso 130 quilos
nunca acordo com despertador
e estou mais próximo de Deus
do que o
pardal.



Espelho




mulheres no meu espelho de penteadeira
houve tantas mulheres
no meu espelho de penteadeira
penteando seus cabelos
o pente prendendo
e vejo os olhos delas no 
espelho enquanto elas olham
para mim
estirado na cama.
estou quase sempre na cama
é o meu lugar favorito.

que o amor ou até
um relacionamento
acabe
parece tão absolutamente curioso
mas que novos amores
novos relacionamentos
cheguem
isso é sorte.

muito embora ficar sozinho seja
bom
a solidão parece imperfeita.

todos aqueles rostos no
espelho
eu me lembro deles.
floraçõesde sentimento e
humor,
fui bem tratado
na maior parte do 
tempo.

as mulheres estão agora
diante de outros espelhos
e os homens se estiram nas camas
tenho certeza -
conversando, ou
calados, relaxando.

outra mulher usa o
meu espelho
seu nome é Linda Lee
ela ri de mim
estou usando um happi
japonês preto e branco.

talvez ela continue no meu
espelho.




Nisto



nisto, cresce a palavra de flecha;
nos dói dos pés à cabeça um simples terror
conforme andamos por uma simples rua
e vemos onde os tanques o empilharam:
rostos passam correndo, maçãs vivem com larvas
por um abraço de amor; ou lá fora –
onde os marinheiros se afogaram, e o mar
o lançou à praia, e o seu cão farejou
e correu como se o traseiro tivesse sido mordido
pelo diabo.

nisto, digamos que Dylan chorou
ou Ezra rastejou com Muss
por tênues horas italianas
enquanto meu belo cão marrom
esquecia o diabo
ou catedrais balançando no tiroteio da luz solar,
e encontrava o amor facilmente
na rua lá fora.

nisto, é verdade: aquilo que cria o ferro
cria rosas cria santos cria estupradores
cria o apodrecimento de um dente e uma nação.

nisto, um poema poderia ser ausência de palavra
a fumaça que outrora subiu para empurrar dez toneladas de aço
jaz agora rasa e calada na mão de um engenheiro.

nisto, eu vejo o Brasil no fundo do meu copo.
eu vejo beija-flores – como moscas, dezenas deles –
presos numa rede dourada. DIABO!!! – eu morri em Palavras
como um homem sob um narcótico de ralo néctar!

nisto, como azul através de azul sem sonhos de bacanal
onde os tanques o empilharam, garotões jogam bilhar,
olhos de elfo através da fumaça e na espera:
RACHA E BOLAS, ISSO É TUDO, NÃO É?

e cursos sobre literatura definitiva.



Por que todos os seus poemas são pessoais?




por que todos os seus poemas são pessoais?, ela
falou, não admira que ela te odiasse...
qual?, falei. você sabe
qual... e nunca mais deixe
água na sua pia, e você não sabe
nem grelhar uma carne; minha senhoria disse
que você é bonitão e queria saber
por que não voltei a ficar com
você...


você contou pra ela?

daria pra contar que você é presunçoso
e alcoólatra? daria pra contar sobre
o dia em que precisei te recolher

caído de costas no chão
quando você brigou?
daria pra contar
que você bate uma toda hora?
daria pra contar
que você se acha
um sr. Vanbilderass?

por que você não vai pra casa?
eu sempre te amei, você sabe,
eu sempre te amei!


ótimo. um dia eu escrevo um poema sobre
isso. um poema bem

pessoal.