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As massas
todas as pessoas solitárias, amargas e miseráveis que
se sentem menosprezadas, traídas pelas forças, elas
culpam a vida, as
circunstâncias, culpam os outros quando de fato
elas
são totalmente insossas, obedientes à sua falta de originalidade,
covardes e plácidas, seguem se sentindo enganadas,
infestando a terra
com suas lamúrias, com seus ódios –
embotadas no centro de lugar nenhum, esses milhões
de erros
humanos, indo dia após dia e noite após noite através
de seus movimentos castrados,
acabam por ferir a própria terra, ferir todas as coisas,
este desperdício
o horror de todo esse
desperdício.
O mais forte dos estranhos
você não os verá com frequência
porque onde quer que a multidão esteja
eles
não estão.
estes estranhos, não
muitos
mas do meio deles
vêm
as poucas
boas sinfonias
os poucos
bons livros
e as outras
obras.
e do meio dos
melhores
entre os estranhos
talvez
nada.
eles são
suas próprias
telas
seus próprios
livros
sua própria
música
suas próprias
obras.
às vezes acho
que posso
vê-los - vamos dizer
um certo
velho
sentado num
certo banco
de uma certa
maneira
ou
o vislumbre de uma face
que se volta em outra
direção
em um automóvel
que passe
ou
em um certo mover
de mãos
de um empacotador ou em-
pacotadora
enquanto guarda
as compras
do supermercado.
às vezes
é alguém mesmo
com quem você tem
vivido por
algum
tempo -
você notará
um
rápido e luminoso
lampejo
nunca visto
neles
anteriormente.
às vezes
você só notará
suas
existências
subitamente
em
vívida
recordação
alguns meses
alguns anos
depois que eles tiverem
ido.
lembro
de um
deles -
ele tinha cerca de
vinte anos
bêbado às
dez da manhã
olhando para
um espelho
quebrado em
Nova Orleans
o rosto sonhador
contra as
paredes
do mundo
para
onde eu
fui?
Causa e efeito
Os melhores sempre morrem por suas próprias mãos
apenas para ficarem livres,
e aqueles que ficaram
nunca conseguirão entender
porque alguém
iria querer
se livrar
deles.
Câncer
encontrei seu quarto no alto de uma
escada.
ela estava sozinha.
"olá Henry", ela disse, e depois,
você sabe, eu odeio esse quarto, ele não
tem janelas.
escada.
ela estava sozinha.
"olá Henry", ela disse, e depois,
você sabe, eu odeio esse quarto, ele não
tem janelas.
eu estava com uma ressaca daquelas.
o cheiro era insuportável,
sentia-me prestes a
vomitar.
o cheiro era insuportável,
sentia-me prestes a
vomitar.
"eles me operaram dois dias atrás",
ela disse. "me senti melhor no dia
seguinte, mas agora está tudo igual a antes, talvez até
pior."
ela disse. "me senti melhor no dia
seguinte, mas agora está tudo igual a antes, talvez até
pior."
sinto muito, mãe.
"sabe, você estava certo, seu pai
é um homem terrível."
é um homem terrível."
pobre mulher. um marido brutal e
um filho alcoólatra.
um filho alcoólatra.
"me desculpe, mãe, eu volto
logo..."
logo..."
o cheiro havia me impregnado,
meu estômago pulava.
saí do quarto
e desci metade do lance de escadas,
me sentei ali
agarrado ao corrimão,
respirando o ar
puro.
meu estômago pulava.
saí do quarto
e desci metade do lance de escadas,
me sentei ali
agarrado ao corrimão,
respirando o ar
puro.
a pobre mulher.
segui respirando e
mantendo o controle para não
vomitar.
mantendo o controle para não
vomitar.
me levantei e voltei a subir os
degraus em direção ao quarto.
degraus em direção ao quarto.
"ele tinha me mandado para um
hospício, você
sabia?"
hospício, você
sabia?"
"sim. eu informei a eles
que tinham pegado a pessoa
errada."
que tinham pegado a pessoa
errada."
"você parece doente, Henry, está tudo bem
contigo?"
contigo?"
"não estou num bom dia, mãe. Volto
para ver você
amanhã."
para ver você
amanhã."
"tudo bem, Henry..."
fiquei de pé, fechei a porta, em seguida
desci a escada.
ganhei a rua, cheguei a um
roseiral.
desci a escada.
ganhei a rua, cheguei a um
roseiral.
soltei tudo sobre o
roseiral.
roseiral.
pobre e desgraçada mulher...
no dia seguinte cheguei com
flores.
subi a escada até a
porta.
flores.
subi a escada até a
porta.
havia uma guirlanda na
porta.
tentei abrir a porta mesmo assim.
estava trancada.
porta.
tentei abrir a porta mesmo assim.
estava trancada.
desci os degraus
cruzei as roseiras e seu jardim
e cheguei à rua
onde havia estacionado meu
carro.
cruzei as roseiras e seu jardim
e cheguei à rua
onde havia estacionado meu
carro.
duas garotinhas
entre 6 e 7 anos
voltavam da escola para casa.
entre 6 e 7 anos
voltavam da escola para casa.
"desculpem-me, senhoritas, mas vocês
gostariam de ganhar umas flores?"
gostariam de ganhar umas flores?"
elas pararam e me
encararam.
"tome", estiquei o buquê à mais alta
das garotas. "agora, vocês
dividam, por favor, dê para sua amiguinha
a metade delas."
encararam.
"tome", estiquei o buquê à mais alta
das garotas. "agora, vocês
dividam, por favor, dê para sua amiguinha
a metade delas."
"obrigada", disse a mais
alta, "elas são
lindas."
alta, "elas são
lindas."
"sim, são mesmo", disse a
outra, "muito
obrigada."
outra, "muito
obrigada."
elas se afastaram descendo a rua
e eu entrei no meu carro,
dei a partida, e
dirigi de volta para o meu
canto.
e eu entrei no meu carro,
dei a partida, e
dirigi de volta para o meu
canto.
Confissão
esperando pela morte
como um gato
que vai pular
na cama
sinto muita pena de
minha mulher
ela vai ver este
corpo
rijo e
branco
vai sacudi-lo talvez
sacudi-lo de novo:
hank!
e hank não vai responder
não é minha morte que me
preocupa, é minha mulher
deixada sozinha com este monte
de coisa
nenhuma.
no entanto
eu quero que ela
saiba
que dormir todas as noites
a seu lado
e mesmo as
discussões mais banais
eram coisas
realmente esplêndidas
e as palavras
difíceis
que sempre tive medo de
dizer
podem agora ser ditas:
eu te
amo.
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